A revolução do altruísmo

Adoro pensar sobre a evolução do ser humano e o que nos caracteriza como tal. Considero que construímos nossa realidade ao longo da história com a evolução do pensamento, em conjunto com outras variáveis, numa dança com o caos, nos fizemos como somos hoje. E nessa dança, temos algumas particularidades, que nos diferenciam de outras espécies.


Assisti dois documentários muito interessante – “A revolução do altruísmo” e “Free the Mind” (Netflix). Eles mostram diversos experimentos e avanços da neurociência que comprovam algumas habilidades do ser humano e o efeito de técnicas meditativas. Através de experimentos com bebês ou crianças pequenas, ilustram que a empatia e a cooperação são naturais no ser humano, pelo menos nessa fase, enquanto ainda não fomos tão influenciados pelo meio. Diversos estudos comportamentais sobre empatia mostram que parece que estamos programados para essa ressonância entre as pessoas: sentir o que o outro sente. Incrível né?


Ainda crianças, com o desenvolvimento psíquico e aprofundamento das interações sociais começa a surgir uma noção de “eu” e “os outros”, e junto com isso um apego ao “eu” e aos círculos sociais (família, amigos, cidade, país). Pronto, a ilusão da separação está criada. E nem preciso exemplificar o que essa ilusão causa...


Mas como colocar nossa capacidade empática a nosso favor? Usando outra capacidade inata: plasticidade cerebral. Podemos aprender, treinar nosso cérebro a manter a empatia e cooperação, como um exercício mesmo, que pode ser ensinado nas escolas, mas também treinado por todos na família.


Nos documentários eles mostram programas de educação emocional em escolas, comunidades com alto índice de violência e em situações de estresse pós-traumático, que evidenciaram resultados incríveis. Nosso cérebro é extremamente plástico e pode ser treinado com simples práticas que podem trazer consequências duradouras para nossa sociedade.


É claro que isso exige um engajamento, mas não precisamos ficar esperando políticas públicas para tal, no contexto atual temos muitas formas de adquirir e espalhar informações para nosso desenvolvimento.


Segundo o neurocientista Richard Davidson, as práticas de meditação são a melhor forma para cultivar a consciência e o altruísmo. Ele cita um estudo com pessoas sem prática de meditação, que foram treinadas e meditaram 30 minutos diariamente por 2 semanas, e já mostraram mudanças estruturais no cérebro!


Estamos vivendo uma fase de evolução tecnológica impressionante, mas precisamos trabalhar na evolução da nossa tecnologia humana, fortalecer nossa conexão e conhecer nossas emoções e sentimentos, que estruturam nossa espécie.


Não à toa somos a espécie que nasce menos pronta, que precisa de mais cuidado e amor de seus familiares e comunidade. O ser humano tem uma capacidade inata para amar, mas na dança com o caos nos afastamos disso, nos perdemos. A preservação da nossa espécie está na preservação do amor ao próximo, a base biológica do ser humano é o amor e o cuidado, só precisamos tirar o véu de ilusão e voltar a enxergar isso.





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