Impermanência

Fomos assistir algumas etapas do campeonato de surf em Saquarema, no litoral do RJ.

8 horas da manhã, cadeiras, guarda-sol e sacola térmica abastecida, chegamos na praia junto com toda a torcida do flamengo.


Uma organização natural vai surgindo, quem está sem cadeira vai sentando na frente, esticando a canga mais perto do mar. Quem vai sentar nas cadeiras se posiciona logo atrás, e quem quer abrir guarda-sol ou está com a família naquelas barracas fica mais atrás ainda.


Em alguns dias chegamos e nos posicionamos muito bem, vista de camarote. Aí passa uma ou duas horas e a maré começa a subir, a galera sentada na areia levanta no susto e tenta se espremer em qualquer canto entre as cadeiras. Aí o sol aperta e começam a abrir guarda-sóis. A vista de camarote já se perdeu. Nas melhores ondas fica todo mundo de pé, aí o pessoal do fundão grita: vamo sentar!!


Passado algum tempo todos se encaixam novamente, chega um pouquinho pra lá, junta mais as cadeiras aqui, e a organização natural vai chegando de mansinho. Até que a próxima onda chega e mexe com todo mundo de novo.


Observadora que sou, muitas vezes me perdia nas reflexões sobre como nos comportamos em situações assim, que a instabilidade é evidente. Alguns queriam marcar seu território, esticavam cangas e chinelos para guardar lugar, outros desencanavam que as ondas iam subir, e ficavam no mesmo lugar se adaptando à situação quando a água chegava de surpresa. Outros preferiam ir mudando de lugar de tempos em tempos, experimentando um pouco de cada ângulo.


Acho que experienciamos todas essas fases em algum momento da vida. Transitamos entre fincar o pé e não mudar mesmo no desconforto, apegados à memória do que foi bom, e se adaptar às mudanças que a vida apresentar. Ou entre encarar a vida como uma competição e proteger o espaço daqueles que consideramos aliados e encarar a vida como cooperação, facilitando a relação ganha-ganha, mesmo que não fique ótimo pra você, mas que também não fique ruim para os outros.




Entre os aéreos e os tubos refleti sobre minhas tendências de comportamento, sobre o que aquela vozinha lá de dentro queria fazer. Se fosse agir sem nenhum filtro na consciência, sem observar as primeiras reações que vem à mente, deixando no controle das matrizes inferiores do ego...imagina como seria!?


Com treino podemos analisar as situações antes de agir, identificar as emoções que despertam em cada situação e escolher nossas ações. Podemos caminhar no espectro da consciência em direção à unidade, nos sentir e nos cuidar como uma grande família.

Não era muito ligada em surf, esportes em geral nunca me empolgaram muito, mas curti essa experiência. Além do cenário ser bem atrativo, foi interessante observar a conexão dos surfistas com o mar, a técnica e a intuição guiando os atletas e sentir o fluxo das ondas confirmando a impermanência inerente à vida.

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